Domingo, Novembro 22, 2009

...


You could be a sweet dream or a beautiful nightmare.

Domingo, Setembro 27, 2009


"Dá-me amor ou ódio
Faz ou desfaz o meu coração
Dá-me amor ou ódio
Salva-me ou mata-me de paixão

Se o amor é fogo, atira-me à fogueira sem piedade
Se no amor há um dono, escraviza-me até à eternidade

Porque o tempo é feito de ti e mim
E tudo o resto é demais...
Amor ou ódio, tanto me faz
Deus e Diabo querem assim, assim será...

Dá-me amor ou ódio
Beija-me, corta-me na tua boca
Dá-me amor ou ódio
Queima-me, molha-me sem roupa

Se o amor não se vê, entra no escuro sem ter medo
Se o amor não diz por quê, nunca questiones seu segredo

Porque o tempo é feito de ti e mim
E tudo o resto é demais...
Amor ou ódio, tanto me faz
Deus e Diabo querem assim, assim será...

Porque o tempo é feito de ti e mim
E tudo o resto é demais...
Amor ou ódio, tanto me faz
Deus e Diabo querem assim... assim será...

Porque o tempo é feito assim e tudo o resto é...
Amor ou Ódio"


Mundo Cão - Dá-me Amor ou Ódio

Sábado, Setembro 19, 2009

Sonhos


Ela dançava ao som do vento, fazendo os seus longos cabelos loiros ondularem sobre o vestido azul de seda.
O mar estava sereno, assim como a sua alma. O pôr-do-sol inspirava uma noite maravilhosa, de céu estrelado e ar quente.
Descalçou as sandálias e caminhou praia fora, de olhos cerrados, sorrindo às gaivotas. A marginal estava deserta, o espaço e o tempo fundiram-se e tornaram-se dela. A imagem caiu no seu olhar e tudo à sua frente ficou negro. Joana esfregou os olhos e não conseguia ver. Nada, mesmo nada...excepto uma névoa tenebrosa e desfocada.
A realidade era só uma: o sonho voltara a repetir-se e a verdade mantivera-se.
Joana cega, com memórias de outra vida...

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Ele II


Ainda olhou para trás de soslaio com esperança de ver a Wonder Woman pegar no seu bilhete, mas ela continuava com os olhos vidrados no infinito, fumando sensualmente o seu cigarro.
Ele seguiu o seu caminho, agora em direcção a casa, cabisbaixo e sonolento.

Ligou o chuveiro no máximo e a água batia-lhe com força na nuca. Percorriam-no todo o tipo de pensamentos, dos quais ele tentava livrar-se há anos. Nunca se perdoaria pela morte da filha...tão pequena e indefesa, deixada negligentemente sozinha na piscina enquanto ele gesticulava nervosamente ao telefone com um cliente. A cara de pânico do seu corpo flutuante assombrava-o todas as noites...e desde esse dia que passara a viver dos juros do seu dinheiro aplicado, dedicando-se à vida, ou àquilo que lhe sobrara dela.
A mulher abandonou-o. Família já não tinha e desconhecia o conceito de um amigo, pois evitara qualquer tipo de contacto social desde então.

Preparou um copo cheio de whiskey e ligou o rádio. Sentou-se no sofá e adormeceu com a toalha enrolada à cintura. Acordou ao som de Sting\ e foi aí que tocou o telefone. Do outro lado ouvia-se uma respiração calmante e uma voz feminina suspirou qualquer coisa. Ele paralisou. Apenas aí se apercebeu que talvez ainda não estivesse pronto para voltar a sair. Ela apercebeu-se da sua hesitação e, mais uma vez sensualmente, disse: "Espero-te às 21 horas no Tulipa, o café perto da marginal. Ah, sou a Isabel" e desligou. Ele ficou por momentos fixado a olhar para o telefone, depois viu as horas. Eram oito, ainda podia comer qualquer coisa, vestir-se e sair calmamente em direcção ao encontro de Isabel.
Saiu meia hora mais cedo que o previsto e foi caminhando em direcção à praia. Quando chegou pôde observá-la ao longe, sentada numa esprigaçadeira, com o cabelo ondulando ao sabor da brisa. Vestia um conjunto pérola de linho e os seus pés estavam frescamente enterrados na areia.
Encheu o peito de coragem e dirigiu-se a ela. Isabel baixou os óculos de sol, sorriu com aqueles lábios vermelho-chamativo e afirmou: "Sempre vieste! Começava a recear que isso não acontecesse...". Ele esbocejou um sorriso e sentou-se timidamente ao lado dela.
Chamo-me Gustavo, disse passados alguns minutos de um silêncio agradável de contemplação. Ela pegou-lhe na mão, cheirou-a e encostou-a na sua face, fazendo-o sentir a pele de seda. Ele arrepiou-se e retirou rapidamente a mão, envergonhado. Ela desculpou-se, dizendo que a presença dele a preenchia, a deixava inerte e moribunda. Apenas queria perceber porquê...
Ele retirou um isqueiro do bolso e acendeu-lhe o cigarro que ela tinha colocado na boca... Ficaram horas a olhar o mar, fumando, calados...

[continua]

Sábado, Agosto 08, 2009

Ele


Os olhos negros nadavam na escuridão da sua alma. Vagueava na rua como se desconhecesse o seu rumo, como se o tempo parasse sem regresso.
Parou junto a um candeeiro de óleo, acendeu um cigarro e observou o parque vazio, as árvores trémulas e os animais sileciosos. Nada naquela cidade lhe trazia a vida de que necessitava para seguir em frente. Era um caso perdido.
Prosseguiu a caminhada sem destino, tropeçando no olhar vago e despido de prazer, de desejo, de esperança. Parou quando os pés lhe doíam e o peito sangrava de cansaço. Recostou-se no passeio e adormeceu.
Era já de manhã quando reabriu os olhos. Um aglomerado de pessoas olhava-o com curiosidade e certo preconceito. Desprezo, até. Levantou-se, sacudiu o sobretudo, rosnou qualquer coisa que fez os transeuntes retomarem o seu caminho e seguiu para o café mais próximo, onde se sentou a ler o jornal duranto três longas horas.
Pessoas de todos os feitios e tamanhos foram entrando, consumindo e saindo daquele local. Por vezes a rapidez era tal que ele nem percebia ao certo por que se davam ao trabalho de entrar se nem uma palavra trocavam com o empregado. Apenas gestos decorados, rotineiros. Hábitos nojentos que lhe causavam vómitos e lhe faziam detestar cada vez mais a Humanidade, a sua origem.
Pegou num pedaço de papel, retirou uma caneta do bolso e começou a escrevinhar qualquer coisa. Entretanto uma elegante mulher de lábios cor de sangue desviou a sua atenção do manuscrito. Entrara no café com um brilho ofuscante e quente. O cabelo castanho e longo soltava o seu perfume pelo ar, ludibriando-lhe os sentidos. Observou-a de alto a baixo: a cor dos sapatos, o recorte do vestido, a marca do casaco...tudo pura e simplesmente perfeito! Enebriado, levantou-se e dirigiu-se à sua mesa, emudecido. A estonteante mulher ignorou-o, deixando-o ainda mais louco... Sorriu-lhe e escreveu num bilhete um convite para tomar café e o seu número de telefone.
Pagou o café, vestiu o sobretudo e saiu apressado...

[continua]